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ANÁLISE COMPLETA DE THOR AMOR E TROVÃO (CONTÉM SPOILERS)

ANÁLISE COMPLETA DE THOR: AMOR E TROVÃO (CONTÉM SPOILERS)

Thor: Amor e Trovão vem sendo muito criticado na internet, boa parte do público criticou dizendo o quão ruim o filme era, porém eu (Escritor) acho que foi um pouco do que aconteceu com Dr. Estranho: Multiverso da Loucura, as pessoas estão criando uma expectativa e decepcionando-se com essa, porque Thor: Amor e Trovão não foi ruim, ele cumpriu bem o que prometia, uma simples comédia romântica de super-heróis, é um filme divertido, o problema é que esse filme não passa muito disso, é uma pequena diversão, mas é só isso, então dá pra entender as pessoas que ficaram decepcionadas, até porquê esse estava adaptando a história mais épica, mais sanguinária, mais tenebrosa, a história mais incrível do Thor de todos os tempos, a saga do Carniceiro dos Deuses das HQs.

A essência dessa grande saga não estava no filme, não passou de uma aventura aleatória, cheio de diálogo bobo e piadas fora de hora, a sensação não era que estávamos vendo um filme do Thor, a sensação é que já teve um filme do Thor, e esse filme do Taika Waititi está fazendo uma paródia do filme original do Thor, um exemplo, quando Gorr invade Asgard, metade dos asgardianos estão morrendo, enquanto isso, Thor tá de papinho com a Jane, todo abobalhado, mudando de uniforme, indo atrás do Monitor e fazendo piada com o vilão, depois o Gorr vai embora sequestrando as crianças, o resultado é, metade dos guerreiros mortos e os pais tendo que lidar com o sequestro das crianças, Asgard está em caos. É uma situação pesada, uma situação séria, dramática, o Thor começa a sessão de stand up dele e não para mais, parece nem estar ligando para tudo que está acontecendo em volta, com ciúmes do Monitor, começa a fazer piada para o povo que estava tenso, Valquíria e Jane brincando com ele também, esse é o tipo de coisa que tira todo o peso, desconecta, tira todo o senso de gravidade do filme, você para de levar a própria história do filme a sério, e por mais que precise de um pouco de piada, precisa de um pouco de conectividade, para fazer você entrar naquele filme, e ainda mais, bota um Thor para fazer uma piada que eles não fazem mais sacrifício com crianças, os Vikings na mitologia da vida real, faziam sacrifício humano mesmo, mas nunca teve isso nos quadrinhos, Thor nunca faria uma coisa assim, então pega mal também uma coisa tão pesada dessa, como matar crianças, ser tratada como uma piada.

A partir desse ponto, fica difícil levar qualquer outra parte do filme a sério, o próprio Thor é um bobalhão, todo lesado. Dá até pra se divertir com o filme, mas os fãs que foram ver um filme épico do Thor, uma adaptação épica da história do Gorr, vão sair decepcionados. Só de ver a primeira cena você já fica decepcionado, o visual do Gorr é totalmente genérico, simplificaram a história para ele ter só a filha, sendo que nós HQs foram inúmeras tragédias que aconteceram na vida dele, ele tem um background muito triste, a Necroespada tem um background gigante na HQs, é a espada do Knull, e o filme nem se dá o trabalho de explicar o mínimo, explicar sobre a Hela pelo menos, já que tinham confirmado antes que a Hela estava com a Necroespada. E o pior fica quando o Gorr entra no oásis do Deus do sol, do povo dele, que CGI é aquele? Uma coisa tipo, vergonhosa mesmo, o CGI desse filme é um dos mais fracos da UCM, você vê claramente o corpo dos personagens deslocados no cenário, os personagens virando bonecos nos pulos.

Eu acho que daqui pra frente a tendência é piorar, nós veremos ainda mais filmes genéricos do UCM destruindo histórias épicas das HQs, veremos mais computação gráfica de baixo nível, porque esses filmes têm cada vez prazo mais curto para entrega, então acho que é o que está acontecendo agora, estão encurtando o prazo e diminuindo a qualidade, a Marvel está optando por quantidade ao invés de qualidade, está dando pra sentir bem a queda da qualidade, não tem discussão, quem sabe um pouco de CGI vai saber o que eu estou querendo dizer, está tudo muito superficial, os outros panteões foram apresentados de forma muito superficial, a Eternidade também. Nas HQs, boa parte do panteões não se misturam dessa forma que foi no filme, a Cidade da Onipotência que vocês viram lá, nos quadrinhos é na verdade, uma biblioteca que compila todos os contos, todas as lendas de todos os deuses do universo, é um centro de conhecimento, eu acredito que o Taika tenha transformado a Cidade da Onipotência numa espécie de bordel dos deuses, para justamente dar mais peso pro argumento do Gorr, nas HQs o argumento é um pouco diferente, é mais focado em fazer um paralelo com o Deus cristão, porque eles podem ter tentado mostrar exatamente isso, que alguma pessoas passam por dificuldades na vida, famílias sofrem doenças, mortes e etc, e essas pessoas pedem ajuda para Deus e não tem resposta, estou falando da visão de quem não tem fé, lógico. Isso foi o que Jason Aron quis passar nas HQs, como as pessoas lidam com as tragédias da vida e a falta de resposta de forças divinas, já nos filmes os deuses são realmente bem escrotos, o Deus do Gorr joga fruta na cara dele, os deuses só querem saber de farra, fazer um “oba oba” coletivo, tem um pouco da mitologia original nisso também, muitos deuses eram fanfarrões, só queriam saber de bebida e sexo, é aquela coisa de mitologia mesmo.

Não é uma coisa necessariamente ruim o filme ter adaptado a mitologia assim, mas que é estranho ver toda a mitologia do Thor nas HQs sendo distorcida, realmente é, até a Eternidade foi tratada de uma forma muito genérica, virou uma espécie de gênio (Djinn) no centro do universo que você só chega lá, faz o pedido e ela atende, a Eternidade não é isso, isso aí é só uma solução fraca de roteiro pro Gorr matar todos os deuses, é uma tentativa de simplificar uma coisa bem elaborada das HQs, na história original Gorr sequestrou um deus das bombas e obrigou ele a montar o projeto de uma bomba divina usando a Necroespada, é assim que funciona nas HQs. A Necroespada se alimenta de sangue divino, então o Gorr coletava sangue divino e escravizava deuses pra trabalharem na construção da bomba, o foco dele era essa bomba divina, já no UCM, os roteiristas só olharam um pro outro e falaram: “inventa aí que a Eternidade realiza pedidos e o Gorr precisa do rompe tormentas pra abrir a porta”, “mas o que o rompe tormentas tem a ver com a Eternidade?”, “ sei lá, bota isso aí”, é algo nesse nível. Alias, nos quadrinhos a Eternidade é basicamente a entidade mais importante do universo Marvel, porque ela é o próprio universo Marvel, quando você pensa em cada universo, em cada multiverso, quando você pensa no espaço-tempo em si, isso é a ETERNIDADE, é o corpo dela, e ela conversa, interage, tem importância nas histórias, ela não está ali para realizar desejos, pelo contrário, na maioria das vezes a Eternidade escolhe não interferir em coisas tão banais, porque os conflitos dos heróis são coisas pequenas demais pra ela, olha o tamanho do multiverso.

Mas também não é como se eu não tivesse gostado de nada, eu gostei bastante de algumas coisas originais do filme, a ideia do Thor compartilhar os poderes com as crianças foi bem legal, foi inesperado, o lance do Gorr trazer a filha dele de volta também e o Thor virar tipo o padrasto dela, o Thor como pai é uma ideia que nunca foi explorada nem nos quadrinhos, então tiveram umas coisas bem originais que funcionaram legal no filme, ainda é um pouco estranho tentar entender porque a filha do Gorr foi ressuscitada com poderes da Eternidade, mas eu particularmente gostei, isso deve ser o que mais vai impactar o UCM daqui pra frente, agora o Thor meio que tem uma filha super poderosa que usa o rompe tormentas, e isso não é pouca coisa, gostei também que trouxeram a Lady Sif de volta com o visual clássico das HQs, gostei do Axl, o filho do Heimdall, mas agora os personagens icônicos que eram pra ser bem adaptados foram bem “qualquer coisa” no filme, a Valquíria, por exemplo, não teve tanta relevância, a Jane poderia durar mais filmes até morrer, ela tem até uma boa história, um bom background, ela foi Thor por uma fase inteira nos quadrinhos, a morte dela foi muito bem construída nos quadrinhos, só um filme ficou muito corrido pra contar a trajetória dela, no mínimo o filme tinha que ter sido mais longo, foi muito curto. Agora, o Gorr, o Gorr foi completamente estragado, depois do coringa do Jared Leto, acho que o Gorr do Christian Bale vem ali, em segundo no ranking de decepções com vilões, o Gorr dos quadrinhos chacinou TODOS OS PANTEÕES de deuses da Marvel, os grupos de deuses diferentes mitologias, só sobrou o Thor pra contar história, sem falar que teve toda uma investigação dos assassinatos, uma espécie de CSI místico, com o Thor seguindo as pistas por diferentes reinos, analisando os corpos, pesquisando, isso que é bacana nos quadrinhos, só leiam DEUS DO TROVÃO nos quadrinhos que vocês vão entender o que eu estou falando, aquela obra-prima foi transformada em um filme meia boca, essa é a verdade, esse Gorr foi um crime, e a culpa nem é do Christian Bale, ele mandou super bem com o que pediram pra ele fazer, Na primeira cena do Gorr, depois que ele entra na água a maquiagem já desfaz toda, principalmente na boca dele, de cara já se desconecta ali do filme porque você está vendo a maquiagem desfazer, depois você vê aquele CGI todo mal feito da cena, então, a partir do momento que outras coisas te desconectam da cena, você já começa a perceber que é um ator atuando, já fica mais difícil do seu cérebro aceitar de natural a atuação do Christian Bale, mesmo que a culpa não seja dele, você está se desconectando, isso não pode acontecer, e no saldo, pra mim, o Gorr ficou ruim, o melhor vilão de Thor virou um vilão esquecível e matou só meia dúzia de deuses menores. Quanto ao Thor, é aquilo que eu já falei, ele virou um bobão, é uma paródia do Thor dos quadrinhos, ele até tem alguns momentos legais pra caramba, tipo quando ele mata Zeus, ou como anteriormente falado, quando ele compartilha o poder com as crianças, fora isso ele é uma piada ambulante, ele é mais infantil que as crianças do filme.

Se você pega o início do filme todo, aquela parte com os Guardiões da Galáxia, é até divertido, é piada o tempo inteiro, até as cenas de ação são feitas como piada, só vai ter cena de ação séria no final do filme e nem são tão sérias assim, e eu tava com a expectativa de ver alguma coisa pelo menos 1% no nível da ação da HQ que o filme estava adaptando, porque na HQ, a luta contra o Gorr é uma mega luta cósmica, eles voando pra anos luz de distância pelo espaço com os ataques, destruindo planetas ao redor com o impacto dos golpes, imagina se isso acontece no filme. Planetas explodindo, um olhando pro outro, sérios, sem fazer piadas, mesmo se não fosse uma luta cósmica, faz ser uma luta super bacana, impactante, aquela que você sinta os golpes, você sinta a força e o poder dos personagens, igual foi Superman vs Zod em Homem de Aço, por exemplo, a gente tinha que sentir isso, por isso que esse é o tipo de filme que decepciona qualquer fã, você começa a perder as esperanças de ver o Thor ser bem representado no cinema, começa a perceber que só vão fazer coisas genéricas assim e eles nem precisam se preocupar muito com a qualidade, é só seguir a fórmula Marvel atual, joga um monte de enfeite especial até enquanto o personagem bebe água, deixa o filme bem escuro pra esconder o CGI fraco, bota umas explicações simples de roteiro pra ficar tudo sem nenhuma profundidade, cópia alguns quadros das HQs pra fingir que está fiel, e complementa com 2 horas de piada para o público ficar rindo e não prestar atenção nos problemas que o filme tem. Essa é a fórmula da Marvel atual, quando você está vendo lá as cabras gritando, o tempo todo você está rindo, descontraído, você não está se perguntando como que elas são tão fortes pra puxar o barco, nem se perguntando porque não são cabras mágicas, agora, quem é fã sabe que Toothgnasher e o Topthgrinder são seres místicos clássicos das histórias do Thor, eles são os deuses das cabras, são amigos do Thor, podem carregar o Thor em super velocidade pelo espaço, são inúmeras vezes mais rápidos que a luz, já no UCM eles são simplesmente uma piada, 90% da mitologia do Thor foi colocada no filme NÃO pra ter alguma importância ou profundidade, mas simplesmente pra servir como piada, 90%, foi o que eu falei, se você quiser só se divertir numa Sessão da Tarde da vida, beleza, você vai curtir, mas se você é fã e estava esperando alguma coisa a mais, esperando que honrassem a história original, ou ao menos que entregassem algo digno do personagem mesmo no UCM, daí pra você ver o filme vai deixar de ser divertido e virar decepcionante, vai acontecer. Então eu entendo quem tanto gostou do filme, quem se divertiu, quanto quem ficou decepcionado, é compreensível existirem essas duas respostas diferentes à Thor: Amor e Trovão.

EXPLICAÇÃO DOS PÓS-CREDITOS

Antes de falar sobre o Hércules, é importante a gente entender como os deuses estão sendo adaptados no UCM, é muito importante eu passar isso pra vocês. Basicamente todas as mitologias da vida real são representadas na Marvel, elas existem no universo Marvel, assim como várias outras mitologias alienígenas que foram inventadas, deuses de outros povos que vivem em outros planetas pelo universo, nos quadrinhos existem milhões de deuses espalhados por aí pelo universo, e o Gorr nas HQs dividiu os deuses em dois tipos, segundo ele existem os deuses que só fazem o que querem, são os violentos, os arrogantes, e outro tipo são os deuses inúteis, os deuses que têm poder pra ajudar as pessoas, mas não fazem nada, como os deuses de Chronux por exemplo, eles manipulam o tempo, são os protetores da linha do tempo, mas não fazem nada com esse poder, eles só usam pra fazer as plantações do campo crescerem mais cedo, por isso que nas HQs o Gorr fica enfurecido, ele percebe que durante toda a vida dele, as pessoas passaram o tempo todo adorando deuses que não estavam nem ligando pra eles, para os pobres que pediam oração pra eles, passaram a vida sofrendo e no fim morrendo, enquanto os deuses estavam lá de boa sem fazer nada, já no filme todos são uns desgraçados mesmo, a Cidade da Onipotência nas HQs é uma biblioteca gigantesca, enorme, é um nexus que compila todas as informações já escritas sobre os deuses, já no UCM, a Cidade da Onipotência virou um centro de sacanagem dos deuses, ali é o bordel dos deuses, todo mundo está ali querendo participar da orgia de Zeus e fazer festa, os caras só pensam nisso, é um pouco estranho, principalmente porque todos os panteões estavam ali, não era só o panteão grego que foi transformado nessa safadeza aí, todos os representantes dos panteões estavam naquele lugar com a mesma mentalidade, então isso muda muito toda a mitologia dos deuses da Marvel do UCM, e eu fico curioso pra saber onde está o OLIMPO também, porquê Zeus não está no Olimpo? Parece que ele está vivendo na Cidade da Onipotência, todas as cenas dele nesse filme dão a entender que ele quem manda no lugar, os servos que estão ali são os servos dele, outra coisa que me deixou curioso também foi o nível poder de Zeus, tinha um monte de deuses ali e estava todo mundo com medo do Gorr, e eu nem sei te dizer o porquê, quando Gorr apareceu ele não parecia tão forte, o Thor sozinho estava dando conta dele, Gorr só ficou mais forte mesmo naquela dimensão das sombras dele porquê ele é mais forte lá, mas fora dela ele não era nem tão forte. Thor também “matou” Zeus sem tanto problema, tudo bem, Thor atravessou o peito de Zeus com o raio de Zeus, com a própria arma dele que no filme explicam que é uma arma mega poderosa e tal, mas, mesmo assim, é estranho ver um “Skyfather”, que é o Zeus, sendo meio fraco, morrendo fácil, pra quem não sabe, nas HQs, os “Skyfathers” são os líderes dos panteões, são os deuses mais fortes de cada panteão, Odin é o Skyfather do panteão nórdico e Zeus é o do grego, um governa em Asgard e outro no Olimpo, por isso que nas fases que o Thor governa Asgard, Odin passa os poderes dele pro Thor, o Thor ganha a Odinforce pra virar um também, pra você ter noção do poder que é Skyfather, é um nível abaixo de uma entidade na hierarquia, uma entidade cósmica, aí vem eles, e alguns Skyfathers batem direto com entidades na porrada, no X1. Deuses desse nível Skyfather, peitam por exemplo o Galactus, Fênix, eles têm poder pra destruir galáxias e até o universo inteiro, como que você vai comandar um panteão de deuses sem ter esse nível de poder? Não tem como. Já no UCM parece que não existe isso, Odin em Ragnarok fala que o poder do Thor vai além do dele, e agora Zeus pede pra Hércules ir atrás do Thor no pós-credito, então Hércules vai fazer um trabalho que o próprio Zeus não deu conta. É uma hierarquia de poder meio bugada quando você para pra pensar, mas os confrontos entre Thor e Hércules nos quadrinhos são equilibrados, é tipo Thor e Hulk, nos quadrinhos também é equilibrado, os dois disputam em força física, já tiraram o planeta de órbita em uma simples queda de braço entre os dois, então pode ter certeza de que se adaptarem bem essa rivalidade do Thor com o Hércules, vai ser uma luta fantástica, pelo menos deveria ser, já não sei se o UCM vai adaptar, porquê o o Hércules da Marvel é muito forte, teve saga até dele sendo o Deus mais importante na Marvel, saga dele como protagonista, ele lutando contra o Amatsu Mikaboshi que era o Deus do caos da mitologia japonesa, o Hércules mostrou ali ser muito badass, peso pesado, se souberem aproveitar o Hércules no UCM tem muito plot bom que dá pra adaptar, e olha que eu curti o visual dele no pós-crédito, está bem inspirado no visual do Hércules na fase All-New, All-Different Marvel, essa última fase da Marvel que a gente viu, foge um pouco do padrão do uniforme que o UCM faz. Eu estou gostando que os caras estão sem medo de botar as coisas mais coloridas, acho isso legal, mais uniformes de quadrinhos mesmo, só que por outro lado tem que consertar os outros problemas, porquê as últimas produções do UCM estão repetindo os mesmos erros.

Agora o segundo pós-credito. O arco dramático mais importante de Thor: Amor e Trovão foi o arco da Jane, ela estava já se preparando ali pra morte certa, a gente sabia que em algum momento do UCM essa morte iria acontecer, porquê câncer no último estágio não é brincadeira, porém optaram por fazer a morte da Jane nesse filme mesmo, eu achei que por isso ficou muito corrido, aceleraram muito. Primeiro porque foi um filme muito curto, nessas duas horas de filme tinham vários outros personagens e plots pra serem desenvolvidos, até os Guardiões da Galáxia estavam no filme, deuses diferentes, muita piada com aliens e pessoas aleatórias, isso come tempo de tela da personagem que deveria ter mais foco, que era a Jane, na minha opinião sobrou muito tempo pra Jane que nos quadrinhos foi a Thor, por duas runs, ela teve duas fases inteiras como Thor, foram anos com ela sendo a principal Thor das HQs, e só histórias importantes, um arco incrível atrás do outro, ela teve toda uma história bacana por trás, ela teve o início, meio e fim e como eu falei, foram 2 arcos importantes, então assim, eu até gostei das cenas dramáticas da Jane, gostei que mostraram um pouco do cotidiano de casal dela com o Thor na época que estavam juntos, eu achei isso legal porque geralmente nos filmes a gente não vê o lado mais realista dos casais, o dia a dia, as brigas por causa de louça sem lavar, tudo bem que podiam ter feito essa cena ter sido menos infantil, mas o problema mesmo é que toda a adaptação da Jane acabou ficando em um nível muito superficial, por exemplo, o Mjolnir estava protegendo a Jane porque o Thor ordenou que o Mjolnir a protegesse, já nos quadrinhos o Mjolnir gosta da Jane porque quem controla o Mjolnir é a Mãe das Tempestades, uma entidade cósmica que foi aprisionada por Odin dentro do martelo a milênios atrás, então a Jane é protegida nos quadrinhos pelo próprio martelo, pela entidade que está dentro do martelo. E por sinal nos quadrinhos a Jane tem o último momento dela onde o câncer se agravou tanto que se ela virasse a Thor mais uma vez ela morreria, mas ainda assim ela precisava virar a Thor porquê o Mangog estava destruindo tudo em Asgard, ia matar todos, então a Jane sacrifica-se, porque ela já sabia disso, a alma dela vai até os portões de Valhalla, e ainda assim a Mãe das Tempestades busca ela na porta e traz ela de volta a vida, no UCM não tem nem explicação pra consciência do Mjolnir, não dá nem pra saber se o Mjolnir e o Rompe-Tormentas tem consciência ou se são só encantamentos, é tudo abordado da forma mais simples e genérica possível, não tem o background dos quadrinhos, não tem explicação pra nada no UCM, tipo, coisas mais aprofundadas, única coisa que falam sobre isso no filme é pra fazer piada, o tempo todo piada, mas pelo menos foram fiéis a esse lance da Jane ter sido uma divindade, ter morrido como guerreira e por isso quando ela morreu se desfez em estrelas, e a alma dela merecia um lugar em Valhalla ao lado de outros guerreiros que caíram em batalha como o Heimdall, o Loki faz parte da mitologia nórdica, então assim, em teoria, o Loki oficial do UCM também está em Valhalla, já que ele morreu em combate contra o Thanos, no mesmo lugar que o Heimdall morreu, não devem ter colocado o Loki na cena pós-creditos pra não gerar mais confusão na cabeça da galera, já que agora o Loki principal do UCM é aquela variante que aparece na série. Imagina a galera vendo que tem dois Looks agora, e principalmente torcendo pro Loki antigo voltar, porque é aquele que a gente passou a gostar, se o Loki aparecesse em Valhalla, morto, pro público geral ia ficar confuso, o Loki já está em outro arco agora, não vão ficar colocando ele nos filmes do Thor, eu senti também que o Taika quis fazer o filme o mais leve possível, todas as cenas dramáticas ou tensas do filme vinham seguidas de várias piadinhas pra aliviar a tensão, o tempo todo, se tinha drama, se tinha tensão, na mesma hora tinha uma piadinha, pode-se perceber que então mesmo a decisão mais corajosa de roteiro, que foi matar a Jane, ainda teve essa quebrazinha no final mostrando ela em Valhalla, pro público ficar mais tranquilo, não ficar tão triste pela Jane, e ao mesmo tempo é uma forma da gente perceber que ainda não acabou. Nos quadrinhos nada acaba quando um personagem morre, tem vários tipos diferentes de pós-vida, e sempre tem uma forma de trazer os personagens de volta de Helheim, de Valhalla, do inferno, do limbo, sempre tem como fazer os personagens voltarem, mesmo porque a gente está falando de quadrinhos, principalmente os nórdicos, quem morre em Asgard praticamente tem outra vida, e no caso da Jane, faz um tempo que ela virou uma Valquíria nas HQs, então ela ainda está ativa como super-heroína, só que agora com uma nova função, a função de levar a alma dos mortos para o pós-vida, é uma outra fase bem legal da Jane que pode ser que o UCM adapte. Agora que botaram de vez magia e pós-vida na mitologia nórdica, tudo é possível no futuro do UCM, está cada vez mais próximo dos quadrinhos, o UCM está cada vez mais próximo daquela coisa louca que a gente vê nos quadrinhos, que a gente gosta tanto, por outro lado, conhecendo a Natalie Portman, a atriz, pelas últimas tretas, dá pra imaginar que ela não quer ficar presa nessa parada de super-herói, tiveram que convencer muito ela só pra participar desse filme, e convenceram ela contando sobre o câncer e toda a carga dramática que a personagem dela teria no filme, foi só por isso que ela voltou, acho difícil ela virar uma personagem recorrente no UCM e se prender em um contrato para 10 filmes, agora, é uma coisa que pode mudar a qualquer momento, porém sinceramente eu acho que o prazo dela, a história dela já foi com esse filme tão polémico.

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